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terça-feira, 24 de maio de 2011

ESPAÇO POLÍTICO - Quem você indicaria para ser um tipo de porta voz da fé evangélica? Mas antes de responder, leia o texto abaixo.

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O caso Palocci (o senado pretende investigar a evolução patrimonial do ministro para verificar se houve beneficio do tráfico de influência eventualmente exercido por ele. Segundo denúncia apresentada pelo jornal Folha de S. Paulo, Palocci multiplicou por 20 seu patrimônio em quatro anos).

Se ele não tem culpa porque blindar? Qual o objetivo de negociar politicamente para ele não ser investigado? Se ele é culpado, até agora não sabemos já que não pode nem ser investigado, como pode passar impune e continuar como homem forte do governo?

O pior é que eu, e talvez você, dentro da atual conjuntura, não temos nem mais o direito de dizer algo do tipo: “O que mais me surpreende é que essas coisas acontecem como se fossem algo estritamente normal, sem nenhum peso moral ou criminal”, porque isso já se tornou corriqueiro para todos nós.

Essa realidade, imoral e sem nenhuma ética, cada vez mais forte no cenário brasileiro tem o poder de flexibilizar a moral de todos os envolvidos a nível de consciência, fazendo com que as estruturas morais da sociedade se tornem elásticas, aceitando-se todo tipo de desvio como se fosse alguma coisa “politicamente correta” ou o famoso jeitinho brasileiro. Será que é isso que o Palocci fez para comprar imóveis no valor de R$ 7.000.000,00? São muitos zeros não? Dá até para gente fica tonto.

Essa degradação de valores começa nos participantes ativos desse processo, no caso os favorecidos pelo poder e pelos recursos financeiros, fazendo com que suas consciências, característica inerente de todo ser humano, aceitem qualquer tipo de coisa como sendo correto, já que os padrões eternos de certo e errado se tornaram subjetivos em uma sociedade de valores pós-moderno.

Indiferente a tudo isso e completamente apático, está o outro lado dessa moeda, o povo, nesse caso o lado prejudicado, que é roubado, traído e enganado por aqueles que foram eleitos para garantir os seus direitos.

No meio desse turbilhão, em nosso caso específico, ficam soltas algumas perguntas que não querem se calar e que precisam ser trabalhadas para que haja respostas. Registro que na minha forma de pensar, não acredito que a ausência de respostas seja por conta de covardia nossa, mas sim por temor do nosso povo e líderes em fazer o que é a vontade de Deus.

Até que ponto nós como cristãos devemos não nos envolver nessas questões de forma ativa? Até aonde devemos ir só orando sem agir? É correto nós termos um envolvimento mais ativista contra essas aberrações?

Olhando nossa constituição humana, fica notório que Deus nos criou com uma parte física e outra espiritual. A parte espiritual funciona como um corredor de acesso as coisas transcendentes, como o próprio Deus (que de forma única também é imanente) e tudo aquilo que nos conduz a Ele. Seguindo o mesmo raciocínio, entendemos que a nossa parte física é um canal vivo com as relações dessa vida (evidentemente que estamos falando das coisas feitas de forma lícita e saudável).

Num determinado momento do ministério de Cristo, os judeus armam para ele uma cilada através da seguinte pergunta: “Devemos pagar tributos a Cesar (imperador romano)”?

De forma brilhante Ele não só desmonta a armadilha muito bem elaborada, mas também cria um dos princípios que devem reger nossa vida nessa terra, pelo menos até que ele volte: “Daí a Cesar o que é de Cesar, daí a Deus o que é de Deus”.

Jesus declara que por enquanto existe vida física e que nós devemos nos relacionar com ela de forma ética, saudável, mas também responsável. Seguindo a linha do dever de pagar tributo, caímos automaticamente na estrada do cobrar nossos direitos, até mesmo, no  nível que nossos deveres são impostos, ou seja, através das leis que regem esse país.

Por isso quero compartilhar nessa matéria com você que serve a Deus, que no meu entendimento, nós precisamos ir além do ponto que estamos. Precisamos sim ser mais ativos na vida desse país, não só espiritualmente, mas também de forma cívica, afinal de contas, nossa cidadania celestial não anula nossos deveres e direitos terrenos com essa nação chamada Brasil e muito menos com o seu povo.

Chegar até aqui talvez não tenha sido muito difícil, já que entendo que minha conclusão é só uma parte dessa equação. Mas como fazer isso na prática, talvez seja o grande X da questão. Como não quero ser uma daquelas pessoas que criam dúvidas, mas não apresentam respostas, compartilho que alguns passos podem nos ajudar nessa mudança de atitude:

O primeiro deles é criar esse entendimento em nosso meio. As igrejas precisam trabalhar como comunidade terapêutica, esclarecendo e não confundindo o papel civil de cada cristão. Até porque, o cristão que pensa que não tem nada haver com os rumos que nosso país está tomando, também não verá problema em usar os famosos: gato net, gato luz, gato água, como já foi observado até mesmo como prática em algumas igrejas.

Um segundo passo e talvez o maior deles, seria o desenvolvimento de líderes de expressão.Explicando, não estou me referindo aqui a pessoas que só são conhecidas na mídia, mas a líderes que sejam respeitados e vistos como pessoas que tem testemunho diante da sociedade secular, não tendo envolvimento com as mesmas armações que queremos combater, como parece ser o caso do senhor Antonio Palocci.

Precisamos influenciar para não sermos influenciados. Precisamos conhecer nosso papel para não jogarmos contra esse país e seu povo. Precisamos de homens e mulheres que desejem representar o Reino de Deus, sendo referência para  falar em nome Dele a essa nação que tanto precisa.

Não desmerecendo nenhum dos líderes que temos hoje na ativa, precisamos de uma nova safra de liderança que esteja descomprometida com o material, para passar o espiritual dentro de suas ações civis. Precisamos de uma liderança para  representar nossa cosmovisão junto aod três poderes dessa nação.

Você conhece alguém para indicar? Gostaria de ouvir sua sugestão.

Em Cristo

Pr. Paulo Cesar Nogueira

terça-feira, 10 de maio de 2011

ESPAÇO POLÍTICO - Na época de Estevão, também tinha um STF.

Nesta segunda-feira demos início ao nosso quarto módulo da escola de teologia, que trata da história da igreja cristã.

A história de uma forma geral sempre tem muito a nos ensinar, principalmente quando paramos para estudar os fatos e acontecimentos com o devido cuidado e valor que eles merecem.

Em nossos dias, onde o “efeito microondas” está em ação, inclusive nas igrejas, é difícil juntar pessoas e convencê-las da importância de investir tempo no estudo das coisas que já passaram, mas louvo a Deus pelos nossos alunos, porque eles têm dado o devido valor ao que estão recebendo do Senhor em nessa escola, sem contar o fato que  cada um deles pertence a uma igreja diferente.

Começamos esse módulo estudando o intervalo de tempo que vai da ascensão de Cristo à Pregação de Estevão, período que examinado com cuidado, nos permite identificar algumas semelhanças com o atual momento da igreja no Brasil.

Como em 2011, lá no primeiro século também tinha um STF que julgou e foi favorável ao processo elaborada pelos Judeus, pedindo a condenação de Estevão, bem como sua morte e ainda o direito de iniciar uma perseguição contra qualquer pessoa que falasse em nome de Deus, contrariando as “verdades” do povo Judeu.

A condenação veio cercear e aniquilar a liberdade de Estevão de pregar a universalidade do Evangelho e sua faceta profética, que exaltava a Palavra de Deus acima da centralidade do homem no universo e do seu direito sem limites.

Diferente do que pregaram os juízes do STF de 2011, que no julgamento da semana passada não foram corretos na sua afirmação de que “os homossexuais ganharam e ninguém perdeu”, muitos perderam com essa decisão, a começar pela família, seguida da sociedade brasileira, os próprios homossexuais que agora acreditam, diga-se de passagem, indevidamente, que uma relação homoafetiva equivale realmente a uma unidade familiar. Além desses relatados, perdeu também o Reino de Deus, que vai precisar reinventar ou voltar à origem do conceito de unidade para driblar, no bom sentido da palavra, esse novo julgamento de “Estevão” realizado no ano 2011.

Lá no primeiro século, depois do “primeiro julgamento de Estevão”, houve uma grande perseguição á Igreja, e não só por aquele grupo minoritário  de judeus, levando em consideração  o tamanho do império romano, mas também pelas próprias autoridades, que para ficarem “bem na fita” com a opinião pública, como dizem alguns jovens, deram força a essa perseguição que visava principalmente evitar que algum grupo religioso lutasse contra os privilégios de uma minoria em detrimento do restante da humanidade, a saber, nesse caso, a salvação que existe em Cristo Jesus para toda a humanidade.

Independente desse cenário nebuloso advindo a partir da década de quarenta do primeiro século, a Igreja, entendendo o conceito de unidade evolui na graça e no conhecimento, levando a todos os lugares o Evangelho que luta contra privilégios, seja de grandes ou pequenos, já que o Deus do Evangelho, é aquele que não faz acepção de pessoas, mas que não aceita o pecado, dentro do que Ele determina que é pecado e não o STF.

Acredito que chegou o momento da Igreja se unir, caso contrário, seremos abalados por uma minoria unida e que conta com o apoio político do partido que está no executivo desta nação.(Se você votou na Dilma, não dá nem para reclamar).

Também é importante que neste momento nosso discurso, que deve ser pautado sempre no amor de Cristo, seja claro aos homossexuais, deixando em evidência que não compactuamos com nenhum tipo de discriminação e nem agressão, seja ela física ou moral. Além disso, devemos também entender e respeitar o direito deles de viverem suas vidas do jeito que bem entenderem, tendo como decorrência disso, a regulamentação de certos direitos implícitos neste convívio.

Em Cristo

Pr. Paulo Cesar Nogueira

sexta-feira, 6 de maio de 2011

ESPAÇO POLÍTICO - Que os homossexuais saibam: Nós não estamos em guerra.

Após a decisão unânime do Superior Tribunal Federal de equiparar a união estável entre casais do mesmo sexo (homoafetiva) como entidade familiar, o movimento político gay está achando que conseguirá implantar a nível de legislação, tudo aquilo que eles consideram como “direito de fato”.

Particularmente acho que eles estão vivendo esse momento com muita emoção, já que a decisão do STF é apenas uma porta por onde o assunto vai ser discutido via congresso nacional, local adequado para se debater essas questões, já que ali está representada a vontade do povo e não no STF, um órgão muito importante dentro do nosso sistema de governo, mas sem nenhuma legitimidade quando estamos tratando do que quer e do que pensa a nação.

O julgamento do STF foi apenas uma avaliação fria, com interpretações filosóficas, mas sem nenhuma percepção de sociedade de base, ou pelo menos dos seus verdadeiros pilares.

Outro fato interessante é que a votação revelou outra faceta do "movimento gay": a agressividade deles contra a diversidade. Parece estranho que um pequeno grupo, que difere em muito da maioria e que luta pela própria diversidade, marca de seu modelo de vida, não respeite a diversidade de pensamentos ou forma de interpretar a vida e a família.

No fundo eles querem ser aceitos por todos. Com esse objetivo, estão se organizando e vão fazer de tudo para chegarem lá, nem que para isso, todo o Brasil tenha que ser gay, o que evidentemente não vai acontecer, já que o homossexualismo é um fenômeno e continuará como tal, como a própria história da humanidade nos registra.

Fato é que os gritos de ordem do movimento político gay e de seus apoiadores estão parecendo gritos de guerra. A sensação que temos na leitura dos principais meios de comunicações é que eles estão se preparando para botar para quebrar em cima daqueles que enxergam as coisas de forma diferente.

Nesse cenário de guerra, os evangélicos parecem ser os seus maiores alvos, tendo até uma lista elaborada por eles onde constam os dez nomes mais prejudiciais ao movimento, que em grande parte são dos nossos arraiais. Os católicos de certa forma foram preservados, até mesmo os bispos da CNBB, apesar de terem tido uma postura muito honrosa no julgamento sendo claros em relação ao conceito de família e como é vista a relação homoafetiva na visão do cristianismo.

Tendo em vista o quadro estabelecido, que no fundo não traz proveito para ninguém, quero dizer como cristão e pastor aos homossexuais que visitarem essa página, não ao movimento gay, que independente de enxergamos a vida de forma diferente, tenho profundo respeito pela pessoa do homossexual e sua forma de viver sua sexualidade, mas apesar disso, me reservo o direito de continuar orando para que Deus possa aconselhar o coração de vocês, como o de todos nós, sobre qual é o melhor caminho de sermos sua imagem e semelhança, afinal de contas, todos nós existimos em um primeiro plano para isso.
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Em Cristo

Pr.Paulo Cesar Nogueira

Abaixo tire suas dúvidas sobre o que aconteceu no STF ontem.


O que o Supremo decidiu?

Os ministros entenderam que a união estável entre casais do mesmo sexo deve ser reconhecida como entidade familiar. Com isso, homossexuais podem ter os mesmos direitos previstos na lei 9.278/1996, a lei de união estável, que considera como entidade familiar “a convivência duradoura, pública e contínua”.


O que a Constituição diz sobre união estável?

Conforme a Constituição de 1988 “para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento”.


Quais são os direitos garantidos na lei de união estável, a lei 9.278/1996?

Divisão da guarda e sustento dos filhos, possibilidade de pensão alimentícia, herança em caso de morte, partilha de bens em caso do fim da união e facilidades para conversão da união estável em casamento. A união estável tem o mesmo peso do casamento civil para efeitos de inclusão do companheiro em plano de saúde, por exemplo.


Por que o Supremo se manifestou sobre o assunto?

O STF foi provocado em duas ações, uma proposta pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e outra pelo governo do estado do Rio de Janeiro. A ação da PGR, de caráter mais amplo, pediu o reconhecimento dos direitos civis de pessoas do mesmo sexo. O governo do Rio queria que o regime jurídico das uniões estáveis fosse aplicado aos casais homossexuais, para que servidores do governo estadual tivessem assegurados benefícios, como previdência e auxílio-saúde. Nos dois casos, a decisão favorável foi unânime.


A decisão do STF é garantia de que todos os homossexuais terão os direitos assegurados?

Não, para isso seria necessário o Congresso modificar a lei, e a Presidência da República sancionar. Somente a partir de uma lei o direito passa a ser automático.


Com base na decisão, os casais homossexuais podem ir ao cartório para solicitar o casamento civil?

Em tese, sim, de acordo com o relator do processo, ministro Ayres Britto. No entanto, como não se trata de uma lei, o cartório não é obrigado a aceitar o entendimento do Supremo e agendar o casamento. Com a decisão, porém, quem não conseguir tem a opção de ir à Justiça requerer o direito.


Quais as diferenças entre união estável e casamento civil?

A diferença é que a união estável acontece sem formalidades, de forma natural, a partir da convivência do casal, e o casamento civil é um contrato jurídico formal estabelecido em cartório entre suas pessoas.


Órgãos públicos são obrigados de imediato a reconhecer a união homossexual?

Não. No entanto, os casais que se sentirem prejudicados podem procurar a Justiça.

A Justiça de primeira instância vai conceder o direito de imediato por conta da decisão do Supremo?

Não, pois não se trata de uma decisão vinculante (quando sua aplicação é obrigatória a todos os agentes da administração pública). Porém, caso as instâncias inferiores da Justiça se recusem a conceder o direito, os casais podem recorrer aos tribunais superiores.


A partir de agora, os casais homossexuais podem se candidatar à adoção?

Há atualmente casos pontuais em que a Justiça permitiu que a adoção por homossexuais. Com a decisão do STF reconhecendo a união estável, é possível que a Justiça passe a conceder a guarda em nome dos dois.


Quais são os direitos já adquiridos pelos homossexuais?

A Receita Federal permite que os casais homossexuais declarem o Imposto de Renda em conjunto ou que um deles seja considerado dependente. O INSS também tornou permanente a regra que reconhece os benefícios previdenciários a dependentes, como pensão por morte ou auxílio-reclusão. Nos dois casos, é preciso comprovar a vida em comum.


Atualmente, há dados sobre a quantidade de casais homossexuais no país?

De acordo com o Censo Demográfico 2010, do IBGE, o país tem mais de 60 mil casais homossexuais.


O que deve acontecer após a decisão do Supremo?

O presidente do Supremo, ministro Cezar Peluso, disse que o Congresso precisa discutir e votar leis que delimitem os direitos em consequência do reconhecimento da união estável.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

ESPAÇO POLÍTICO - Não perca a saga do ponto biométrico contra os funcionários do senado.

A ideia é boa e o sistema excelente, mas a turma do senado tem uma imaginação que eu não sei não...

Bem, vamos dar um voto de confiança á boa intenção de se organizar a casa deles, que afinal de contas é nossa também.

Vamos ficar atento ao desenrolar desta história - ou estória - que já vamos denominar de :"A saga do ponto biométrico contra os funcionários do senado".
Em Cristo
Pr. Paulo Cesar Nogueira

4/02/2011 - 13h24
Ponto biométrico começa a vigorar em março no Senado
Na próxima terça-feira (1º) o Senado começa a realizar o controle da frequência de seus servidores pelo sistema biométrico. A implantação se dará em duas fases e, a partir de abril, todos os servidores registrarão sua jornada de trabalho nos coletores biométricos, instalados em vários locais do Senado.
Inicialmente, em caráter experimental, a operação será assistida e haverá treinamento e adequação do sistema para que, em abril, todas as unidades do Senado utilizem o ponto biométrico.
No primeiro momento, registrarão frequência pelo novo sistema os servidores da Polícia Legislativa do Senado e das secretarias de Recursos Humanos (SRH), de Assistência Médica e Social (SAMS) e de Informática (Prodasen) - um total de 817 servidores.
Durante o mês de março, os servidores das outras unidades continuarão a registrar o ponto pelo sistema eletrônico que está em vigor desde 2010. Neste mês experimental, o Prodasen e a SRH farão os ajustes necessários para o perfeito funcionamento do registro de entrada e saída de todos os cerca de cinco mil servidores da Casa.

O sistema biométrico garante a autenticidade dos registros, uma vez que o sistema exige a impressão digital do servidor. A apresentação dos relatórios é mais clara e precisa, o que facilita ao funcionário acompanhar o cumprimento de sua jornada de trabalho.
A implantação do ponto biométrico faz parte das medidas administrativas, anunciadas em 2010 pela Primeira Secretaria, para aprimorar o controle de frequência da Casa.
Iara Farias Borges / Agência Senado
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

ESPAÇO POLÍTICO - O PODER REVELA MUITO MAIS DO QUE CRIA OU DEFORMA

Retirado do blog http://blogs.estadao.com.br/sonia-racy/%e2%80%98o-poder-revela-muito-mais-do-que-cria-ou-deforma%e2%80%99/comment-page-1/#comment-5680

A entrevista abaixo com o ex-presidente da república Fernando Henrique Cardoso é um pouco longo, mas vale à pena ler todo o texto.

Em minha opinião, será difícil um dia o Brasil ter um presidente com o calibre de Fernando Henrique. Particularmente acredito que ele está - desde sua saída do governo até agora - sendo injustiçado pela sociedade corrente, mas como ele mesmo declarou nesta entrevista, o tempo pode mudar isso – espero sinceramente que isso aconteça.

Seu maior valor como presidente foi e é não ser um típico político brasileiro, e essa característica pode ser o motivo que explique porque os brasileiros têm tantas dificuldades de se identificar com ele na figura de gestor.

O problema com o Fernando não é sua inteligência, experiência, cultura e visão de estadista, mas o fato dele ter uma postura diferente do típico político brasileiro.

O problema do Fernando Henrique – que no fundo não é dele, mas nosso - é que ele deveria ter nascido um pouco mais à frente, onde certamente seu valor como presidente seria reconhecido por uma sociedade mais madura e liberta de dogmas da antiga política.

Que Deus - que é o justo juiz - faça o Brasil rever seus conceitos, e que o Fernando Henrique possa em vida ver o resultado disso. Ele merece.

Em Cristo
Pr. Paulo Cesar Nogueira
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O Brasil estreia no quesito mulher-presidente. Dilma exercerá o poder de maneira diferente se comparada a um homem? Como é estar no poder e depois não estar mais? Lula tem deixado claro que não está nada fácil adaptar-se à nova rotina. “É como se você estivesse dirigindo a 300 por hora, desse um cavalo de pau e, de repente, o carro parasse no meio da estrada”, declarou ele ao amigo Ricardo Kotscho semana passada. Depois de anos sem, como se diz em Brasília, tocar em uma maçaneta de porta, o ex-presidente volta agora para lugares e pessoas que já fizeram parte do seu dia a dia. Traz sua transformação pessoal para um ambiente onde, provavelmente, muito pouco mudou. Lula optou por não se afastar do País e tem tentado não interferir no governo da sucessora. O resultado deste esforço é parcial. Quando deixou o poder, Fernando Henrique Cardoso, acompanhado de dona Ruth, decidiu sumir do Brasil e escolheu a França para passar três meses. Ali se habituou novamente a comprar jornal, fazer café, andar nas ruas e pegar metrô. Mesmo assim, segundo admite, a passagem é complicada. FHC recebeu a coluna, na tarde de quarta-feira, para falar sobre poder na condição de ex-presidente e sociólogo. O poder corrompe ou revela o caráter de uma pessoa? Para o intelectual, ele “mais revela” do que transforma. Ou seja, para FHC, a ocasião NÃO faz o ladrão. Aqui vão os principais trechos da conversa.

Qual a diferença entre o poder exercido por uma mulher e por um homem?

Depende. Se a mulher sobe com esta característica, porque é mulher e lutou, é uma coisa. Se sobe porque lutou muito, competiu com outros homens e mulheres de igual para igual, é outra. Ela fica mais dura. No caso atual, a presidente Dilma nunca foi feminista, nunca se apresentou como tal. Nem é uma política. É uma técnica que subiu na base do jogo que aí está. Portanto, não sei se haverá diferença.

Mas ela é mulher. E mulheres são diferentes. O comando de Dilma terá qual componente feminino?
Vamos ver. Ela chegou lá pelas virtudes da profissão, da política, da coisa de tecnicalidade e não pelas características de personalidade. Então não sei se esse lado da mulher adjetiva vai florescer.

Para se ter poder é necessário, de fato, aparentar poder?

Em geral, sim, mas não necessariamente. Você às vezes tem que disfarçar o poder para exercê-lo. A tradição brasileira é muito mais de disfarçar do que de aparentar. As famosas coisas que Getúlio fazia, por exemplo: fingia que ia fazer algo e ia para um outro lado. Acho que, em geral, quem tem consciência do poder não vai exibi-lo. Ao exibir, abre o jogo e cria o contra corpo.

Lula exerceu o poder por meio da popularidade?

Ele parecia gostar da exterioridade do poder muito mais do que da eficácia de uma decisão. Gostava do aplauso. É uma forma de exercer o poder. Mas nunca vi no Lula um homem de Estado, um poder no sentido mais forte, daquele que tem visão, sabe que tem que alcançar seus objetivos e constrói o caminho. Ele construiu o poder para si mesmo.

O senhor acha que ele não tinha um projeto para o Brasil?
O que tinha, esqueceu no caminho. Adotou o que existia, não o que ele havia proposto. Até me pareceu interessante o Lula no Fórum Social no Senegal, que é o fórum contra a globalização. Ora, o Lula foi o presidente que mais ajudou o Brasil a se globalizar. Aderiu inteiramente. Eu não estou criticando por ele ter feito a adesão. Estou criticando a mudança, essa inconsistência. Ele não tinha um propósito. Este já havia sido dado pela sociedade. Ele assumiu aquilo e como que surfou na direção que a sociedade estava apontando. Não contrariou para mostrar que tinha um objetivo e a força de mudar algo em curso para chegar ao seu objetivo.

No mundo, as pessoas hoje pensam mais no poder do que em um projeto de Nação?
Vamos pegar o que aconteceu nos Estados Unidos no século 18. Bem ou mal, aqueles líderes definiram um caminho, criaram a declaração universal da democracia, a Constituição americana, adotaram as concepções de Montesquieu e por aí foram. Tinham uma visão de futuro e aquilo marcou tudo. Mesmo um tipo como Napoleão, que é o oposto da coisa americana. Aqui, José Bonifácio tinha essa percepção e sabia o que queria. D. Pedro II, se não tinha uma visão, alguma ideia ele tinha de que tinha que civilizar isso aqui. Eu acho que alguns presidentes brasileiros tiveram, como o Getúlio: você pode não concordar com a visão dele, mas ele tinha noção de Estado herdada dos positivistas, autoritária e tal. Alguns tiveram uma certa noção, desenharam o que era possível para o País, mesmo que não tivessem uma coisa tão fundamental como os grandes pensadores americanos.

Obama tinha um projeto quando se elegeu?

Não. O Obama tinha um discurso: “Sim, nós podemos”. Podemos o quê? Nesse aspecto, ele tem uma certa semelhança com o Lula, porque os dois simbolizavam alguma coisa. Não é que tivessem que ter uma proposta. Eles próprios já simbolizavam mais democratização: venho de baixo e chego lá, sou negro e chego lá. Aquele discurso admirável do Obama sobre racismo é uma coisa grandiosa. Mas não é um projeto de Nação. Ele também chegou lá e fez uma tentativa de melhorar o bem-estar da população com seu projeto de saúde. Conseguiu mais ou menos, não tudo que queria. E ficou perdido por isso, passou a ter que resolver os problemas deixados por outros. Ou seja, como enfrentar a crise do capitalismo com os instrumentos disponíveis? Daí por diante, inundou o mundo de dólares, salvou os bancos. Não creio que fosse projeto dele. Foi engolfado pela situação.

O senhor acha que Dilma assumiu o poder com um projeto?
Acho que não. Ela nunca falou à Nação sobre isso. Vai tocando no dia a dia. Qual é o projeto? O que está bem, que continue. Acabar com a pobreza, todos nós dissemos isso e todos nós fizemos um pouco nessa direção. Não só eu, antes de mim também o Itamar, o Sarney, os militares. Isso não é um projeto de Nação: é uma necessidade. Não podemos ter um País com esse grau de pobreza. Nesse momento em que ninguém pode mais ter um projeto desligado do mundo, visto que o grande problema hoje é ligado à globalização, não dá para você ter um caminho que não incida e sofra as consequências do mundo. Temos que discutir estratégias.

Em entrevista à Globo News, o senhor definiu o poder como duro, difícil e sofrido. Qual é o real poder de um presidente no Brasil?
É o de convencimento. Ele tem de convencer o País e o Congresso a ir num certo rumo. Caso contrário, as forças constituídas não mudam nada, ficam repetindo o que elas são. Para exercer de fato o poder no sentido pleno, ao exercê-lo, ele tem que mudar as coisas numa determinada direção. Fora disso, não consegue. A sociedade tem que cobrar mais. O que a sociedade quer? Se o presidente tiver visão das coisas, ele pode até capitanear a mudança, mas ela nunca é dada só pela vontade do presidente. Ela capota diante das instituições e da tradição do que está estabelecido.

Existe uma versão “criminalizadora” da política e do poder, sugerindo que pessoas boas entram na política e aí se tornam más e corruptas. Poder corrompe ou revela o caráter?

Mais revela. É claro que o poder absoluto dá mais chances aos mais fracos de ficarem maus. Veja, vamos falar português claro: uma pessoa que tem posição de mando (não precisa ser presidente) tem enormes possibilidades de enriquecer. Ele tem informações e pode usá-las. O que freia isso, o que inibe? É você mesmo. Quando você não o faz, é você mesmo que deixa de fazê-lo. Não é que o poder está impedindo. Então, acho que poder revela muito mais do que cria ou deforma. É claro que a permanência no poder deforma, porque essas chances vão se repetindo, repetindo… e aí chega um momento em que o risco de você incorrer em erro é maior.

Vou lembrar a frase de que o poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente. Antes de corromper, o poder não deslumbra?
A muita gente, sim. Vou falar em termos pessoais: eu nunca me deslumbrei.

Quem o conhece, diz que o senhor era uma pessoa antes de assumir o poder, a mesma pessoa durante e a mesma quando saiu. Mas dentro do senhor, o que mudou no exercício do poder?
Dentro muda. Você vê que as coisas são muito mais difíceis do que você pensava. Você vê que a ambição humana é muito maior do que imagina. Pessoas que são próximas, e você nunca vislumbrou a possibilidade de elas terem uma ambição desproporcional, pedem a você o que não devem pedir. O poder dá uma percepção talvez mais realista do ser humano.

Como isso mudou o senhor como pessoa?

Talvez endureça um pouco, porque você desconfia, a pessoa vai te procurar e você pensa: “O que será que ela quer?”. Em vez de partir do princípio de que não quer nada que seja negativo. Começa a ficar com um pé atrás, fica esperto, astuto para o mal que possa vir. Mal no sentido do inapropriado. A Ruth pesou muito também no meu estilo, porque era muito direta, muito simples, sempre teve horror de ostentação de poder e dessas coisas. Minha família não ficou deslumbrada. Até hoje, quem são os meus amigos mais próximos? São os da universidade, que eu já tinha antes. Com quem eu convivo? Com as pessoas que sempre convivi. É claro que acrescentei, mas nunca mudei de grupo, de camada, de círculo.

Quando o senhor saiu do poder, teve síndrome de abstinência?
Não, não tive. E tomamos uma resolução, Ruth e eu. Imediatamente saímos do Brasil. Por três meses ficamos na França e tomamos decisões claras: não vamos ter automóvel, segurança, assessores. Vinha um rapaz da embaixada brasileira uma ou duas vezes por semana trazer correspondência e conversar. Andei de metrô. Fiz isso logo para me dizer: não sou mais presidente. E passei a desfrutar das coisas que eu gosto. Ir a museus, comprar livros, comecei a me preparar para escrever um livro, via meus amigos, ia comer em restaurantes que eu gostava, ia ao teatro, andava a pé. Foi uma terapia de choque, digamos assim.

Como é o poder para o senhor hoje em dia?

Hoje não tenho poder nenhum. Posso ter é influência, que é uma outra coisa. É a capacidade de a partir do que você fala e faz, influenciar o comportamento de terceiros. Poder é quando você pode obrigar, eu decreto tal coisa e passa a valer. Você tem a capacidade de coagir o outro, pela lei no caso da democracia, mas mesmo a lei está baseada na força, tem autoridade.

O poder leva ao autoengano? Por exemplo, muita gente critica que o senhor deveria ter feito muito mais marketing dos coisas que conseguiu fazer durante seu governo, em lugar de esperar que a história lhe fizesse justiça.

É possível que o poder iluda. No caso do marketing, eu mesmo tinha muita resistência. Por outro lado, naquela época isso não seria tolerável, as finanças não eram tão favoráveis assim. A Bolsa Escola, por exemplo, foi a origem de todas as bolsas. Distribuímos 5 milhões de bolsas e eu não usei isso como se fosse dádiva.

O senhor achava que haveria um reconhecimento natural ao seu governo?

Eu não estava nem pensando nisso. Tinha uma dúvida profunda: não sei se estou constituindo um começo ou um interregno. Eu dizia isso: essas coisas que nós estamos fazendo, eu não sei se é o começo de uma mudança ou se é um momento que depois vai regredir. Vendo hoje, algumas coisas foram um começo, a estabilidade foi uma delas, assim como a área social. Outras foram um interregno, como a concepção de secularizar mais a política e não ficar nessa coisa patrimonialista.
Mas e o marketing?

Nunca tive a preocupação de fazer propaganda em termos pessoais, realmente não pensei. Alguém me perguntou como vou ser visto daqui a 100 anos. Será que eu serei visto? E se eu for bem-visto, estarei morto. De que adianta? (risos) E tem o seguinte: a História modifica o julgamento. Dependendo de cada momento da História, você é bom ou é mau, isso vai variando. Se você fez alguma coisa que mereça ser vista por ela, ótimo. Mas isso não quer dizer que sua posição está assegurada, porque alguns vão dizer que foi bom e outros que foi mau. Depois muda a geração, o que era bom virou mau, o que era mau virou bom. Isso é muito comum, não só no poder. Eu estava lendo hoje numa revista: “Baudelaire não conheceu a glória quando vivo”. Pode ser. Mas de que adianta conhecer a glória morto?


quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

ESPAÇO POLÍTICO - CNBB ensaia uma reaproximação com o planalto

O mundo católico brasileiro - representado pela CNBB - ensaia uma reaproximação com o governo federal, diretamente com a pessoa da presidenta.

No primeiro encontro com Dilma - nesta quinta-feira -, o representante da entidade dom Geraldo Lyrio Rocha, apresentou uma pauta de "preocupações" da CNBB relativas às reformas política e agrária e às mudanças no Código Florestal, além de propostas de parcerias para a erradicação da miséria e em trabalhos sociais voltados à portadores do vírus HIV, dependentes de drogas e deficientes físicos.

O tema “aborto” que gerou situações constrangedoras tanto para a candidata como para a direção da CNBB, é considerado pela entidade como um assunto já resolvido, tendo em vista o comprometimento da candidata, agora presidente, durante sua campanha.

Como falei em matéria anterior sobre o novo código florestal, é necessário que o mundo evangélico brasileiro também esteja envolvido em “macro causas” de nossa nação, como sempre fez a Igreja Católica.

Para isto, é fundamental uma aproximação com o governo federal, a exemplo do que acontece em países africanos – onde os cristãos se tornaram parceiros nas políticas públicas implantadas pelo governo.

O braço evangélico no Brasil é uma massa muito significativa e de certa forma estruturada, que poderia muito bem contribuir de outras formas - além da que já contribui - à nossa nação.

Fica ai o recado e o alerta aos homens de expressão em nossos arraiais.

Em Cristo

Pr. Paulo Cesar Nogueira



CNBB evita discutir aborto em 1º encontro com Dilma

No primeiro encontro com a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) após a polêmica em relação ao aborto durante a campanha eleitoral, a presidente Dilma Rousseff foi poupada de cobranças em relação ao tema.

Segundo o presidente da entidade, dom Geraldo Lyrio Rocha, o assunto não foi tratado no encontro realizado na tarde desta quinta-feira (17) no Palácio do Planalto. Durante a campanha, um braço da CNBB, a Regional Sul 1, chegou a distribuir panfletos pregando voto contrário a quem defende a descriminalização do aborto e com críticas ao PT.

No primeiro encontro com a CNBB após a polêmica sobre aborto, Dilma Rousseff foi poupada de cobranças do tema

A polêmica, que passou a nortear a disputa entre Dilma e José Serra (PSDB) no segundo turno, levou a então candidata petista a prometer que, se eleita, não proporia "alterações de pontos que tratem da legislação do aborto". Hoje, o aborto é permitido apenas em casos de estupro e risco de vida para a mãe.

De acordo com o arcebispo, ele levou uma pauta de "preocupações" da CNBB relativas às reformas política e agrária e às mudanças no Código Florestal, além de propostas de parcerias para a erradicação da miséria e em trabalhos sociais voltados a portadores do vírus HIV, dependentes de drogas e deficientes físicos.

O secretário-geral da CNBB, dom Dimas Lara Barbosa, que também participou da audiência com Dilma, contou ter se reunido ontem, a convite da CNBB, com a ministra Maria do Rosário (Direitos Humanos).

Segundo Barbosa, o PNDH-3 (Plano Nacional de Direitos Humanos) foi abordado. Na primeira versão do plano, posteriormente alterada, a descriminalização do aborto estava presente. No entanto, dom Dimas disse que a questão do aborto não foi objeto de discussão específica.

"Me parece que esse tema [aborto] já foi encerrado durante a campanha", disse o bispo.

ESPAÇO POLÍTICO - Patritota foi antipatriota. Governo Dilma perde ponto nesta situação.

Diante de certas matérias relatando imoralidades, prefiro me calar e só orar para que meu senso de justiça não venha me levar a pecar.

Mas quem sabe você que nos visita tenha condições de fazer alguma coisa contra esses absurdos (passaportes diplomáticos para filhos e netos de Lula, bem como para religiosos "mais chegados").

Que o Senhor Julgue essa causa e nos ensine a lutar contra esses desmandos públicos.

Em Cristo
Pr. Paulo Cesar Nogueira


16/02/2011

às 18:54 \ Direto ao Ponto

Patriota acha que os filhos e netos de Lula adquiriram o direito de defender os interesses do país até na montanha-russa

O chanceler Antonio Patriota teria encerrado outro capítulo vergonhoso da história do Itamaraty se, com uma portaria de dois parágrafos, atendesse ao pedido do Ministério Público Federal e anulasse os passaportes diplomáticos concedidos irregularmente nos últimos quatro anos. Em vez disso, informa a Folha desta quarta-feira, preferiu endossar as imoralidades fabricadas pelo antecessor Celso Amorim com argumentos tão consistentes quanto as encostas da Região Serrana que sumiram no temporal.



“Não vou fazer isso porque isso estaria ferindo direitos adquiridos”, fantasiou Patriota ao recusar a anulação dos superpassaportes que premiaram cinco filhos e três netos do ex-presidente Lula, líderes religiosos bons de lábia e bons de voto e uma penca de viajantes de estimação dos donos do poder. Em janeiro, ao mudar as regras que condicionam a liberação do documento, o ministro das Relações Exteriores proibiu a entrada de novos sócios no clube. Mas quem está dentro não sai, soube-se nesta quarta-feira.



A farra continua ao som da lira do delírio. Para atender ao pedido do presidente em fim de mandato, Celso Amorim alegou dizer amém “em função dos interesses do país”. Para justificar a concessão de passaportes especiais a 22 chefes de seitas evangélicas, Patriota invocou a necessidade de “garantir a simetria com os cardeais da CNBB”, portadores de documentos semelhantes expedidos pelo Vaticano. E o que o tem a ver o Brasil com o que faz ou deixa de fazer um Estado independente e soberano?, berra o bom senso. E por que não estender o critério da simetria aos pais-de-santo, aos espíritas graduados ou ao alto comando do Santo Daime?



O chanceler acha que até 2014, quando expira o prazo de validade do papelório malandro, os netos de Lula merecem exercer o direito adquirido de furar filas no aeroporto de Miami para chegar mais cedo à Disney World e defender os interesses nacionais na montanha-russa. Até lá, segundo o palavrório mambembe do chanceler, a turma da sacolinha merece exercer o direito adquirido de passar por alfândegas com as malas afiveladas ─ algumas abarrotadas de dólares ─ e sem se expor a revistas.



Por ter-se aliado aos autores da delinquência e seus beneficiários, Patriota deve ser tratado como cúmplice. Autoridades que desrespeitam a lei e a Constituição estão sujeitas a um processo por improbidade administrativa. Ele poderia ter abolido a abjeção com uma portaria. Como não atendeu ao pedido do Ministério Público Federal, como não fez o que deveria ter feito, que seja obrigado a fazê-lo por decisão judicial.



quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

ESPAÇO VAMOS ORAR POR ESSA SITUAÇÃO - O mundo árabe/mulçumano está tateando no escuro, ele precisa se achar

Querido visitante, lendo a folha online neste dia me deparei com a matéria abaixo do colunista Hélio Schwartsmann, onde ele compartilha sua visão sobre os atuais acontecimentos no Egito.

Por achar a matéria bem interessante e importante para todos nós, decidi traze-la para seu conhecimento via nosso blog.

Sua análise - que também contém um relato histórico da situação -  não se limita ao Egito e seus acontecimento, mas necessariamente é estendida ao mundo árabe/mulçumano por suas ligações históricas.

De forma inteligente, o articulista da Folha nos mostra o tatear das nações árabes nos últimos anos para achar seu lugar e sua maneira de ser dentro do século XXI, mas também, de forma perspicaz nos alerta para os perigos dos grupos mulçumanos que persistem em viver sua religião - usada como medida de unidade árabe - de acordo com o século VI.

No fundo, toda essa confusão trata-se de poder. Mesmo aqueles que colocam a bandeira do Islã como primeira em sua vida, estão na realidade atrás do poder que essas ditaduras acabam implantando, como acontece no Irã por exemplo.

O mesmo argumento - poder - serve também para explicar porque a Arábia Saudita (país árabe/muçulmano) está a favor de Murabak e preocupada com a expansão do Irã e de suas ideias - diga-se de passagem confusas -, que podem com essa agitação no Egito se espalhar pelo oriente médio. O rei saudita – de forma igual aos religiosos - quer manter o poder nas mãos da família real -respeitando o Islã - e não nas mãos de organizações como a irmandade mulçumana.

Oremos para que as nações árabes encontrem seu caminho dentro da democracia e também  a Jesus, aquele que pode realmente livrá-los de toda essa confusão espiritual, civil e religiosa.

Em Cristo
Pr. Paulo Cesar Nogueira

Hélio Schwartsman, 44 anos, é articulista da Folha. Bacharel em filosofia, publicou "Aquilae Titicans - O Segredo de Avicena - Uma Aventura no Afeganistão" em 2001. Escreve para a Folha.com.

Não vejo mais como me furtar a um comentário sobre o Egito. A confusão ali, afinal, pode virar do avesso a geopolítica do Oriente Médio e, por extensão, a do globo.

Comecemos pelos consensos. Existe uma unanimidade no mundo árabe. É a de que os valores ocidentais não podem ser simplesmente importados e implantados sem tradução. Por isso, os países árabes precisam encontrar seu próprio caminho, que deve culminar na união de todas as nações da região. Em minha modesta interpretação, isso tem a ver com a noção de "umma". Modernamente, a palavra pode ser traduzida como "nação". Seu significado primordial, contudo, é o de "comunidade", que idealmente engloba todo o islã e à qual todo bom muçulmano deve submeter-se, sem dissenso (ou quase). O termo, que aparece 64 vezes no Alcorão, é derivado da palavra "umm", que significa "mãe". Uma alternativa de tradução à caetano Veloso seria "mátria". A concórdia para nessa ideia de diferença em relação ao Ocidente e união entre os árabes.

Para lograr esse objetivo, uma parte se voltou para o nacionalismo secular. É dessa tradição que Hosni Mubarak é herdeiro, muito embora o pan-arabismo já tenha contado com representantes mais populares, notadamente Gamal Abdel Nasser (1918-70).

O outro ramo é o dos que apostaram na religião como força unificadora. É aí que se encaixa a Irmandade Muçulmana ("al Ikhuan"). Fundada em 1928, é a primeira representante do pan-islamismo.

No Egito, os nacionalistas seculares, liderados por um grupo de jovens oficiais das Forças Armadas que incluía Nasser e Anuar al Sadat (1918-81), chegaram ao poder através do golpe de Estado que derrubou o rei Faruk 1º em 1952. O pretexto para a deposição foi a derrota dos árabes para Israel na guerra de 1948.
Explorando a ordem mundial imposta pela Guerra Fria, Nasser, que assumira a Presidência em 1956, estabeleceu uma cooperação com os soviéticos e foi incorporando elementos socialistas em sua retórica. A relação do Egito e dos árabes com a URSS, entretanto, sempre foi ambígua e cheia de idas e vindas. Uma das primeiras medidas dos jovens oficiais depois que derrubaram o rei foi eliminar os comunistas egípcios.

O próprio socialismo árabe ("al ishtirakia al arabia"), em parte abraçado por Nasser e, em maior grau, pelo partido Baath (ressurreição), forte na Síria e no Iraque, precisa ser colocado em perspectiva. Era um socialismo adaptado às necessidades, que não incluía, por exemplo, nenhum elemento de ateísmo e não buscava eliminar a propriedade privada. A ideia é que o socialismo não deveria contrapor-se aos valores tradicionais. Um socialismo nesses termos não era estranho à "umma".

Seguindo o projeto pan-árabe, Nasser ensaiou uma união com a Síria em 1958. O "novo" país se chamava República Árabe Unida. A Síria levou três anos para descobrir que tinha virado um feudo do Egito e pular fora.

Mesmo sem grandes sucessos a exibir, Nasser continuava a entusiasmar as massas árabes, no Egito e fora dele. Essa situação durou até a Guerra dos Seis Dias, em 1967, quando os exércitos árabes sofreram uma segunda e ainda mais humilhante derrota para os israelenses.

Nasser ameaçou renunciar, mas a multidão foi às ruas no Cairo para pedir que ficasse. Ficou, mas sem o brilho de antes. O pan-arabismo já entrava em decadência.

Depois da morte de Nasser, em consequência de um ataque cardíaco, em 1970, a Presidência do Egito foi ocupada por Sadat. Ele lançou mais uma guerra contra Israel --a de 1973--, perdeu e, seis anos depois, sob os auspícios dos EUA, assinou uma paz em separado com os inimigos. Em 1981, Sadat foi assassinado por radicais religiosos ligados ao Jihad Islâmico.

Nesse processo, porém, lançou as bases da cooperação com os norte-americanos. A aproximação com os soviéticos e a retórica inflamada do pan-arabismo foram paulatinamente substituídos pela substancial ajuda militar dos EUA, que hoje ultrapassa a marca do US$ 1 bilhão anuais.

Foi nesse contexto, em especial a partir dos anos 80, que a Irmandade e outros grupos religiosos ganharam espaço. Aliás, a "ameaça fundamentalista" é uma das razões a justificar o auxílio norte-americano. Por paradoxal que pareça, é um acerto que agrada a todos: os EUA podem dar dinheiro a um ditador aliado, o ditador recebe a grana com a qual satisfaz os apetites das Forças Armadas, que o mantêm no cargo, e a Irmandade, discretamente tolerada, se consolida como verdadeira oposição, tanto à ditadura como aos EUA e, por extensão, a Israel.

Voltemos, porém, às origens da Irmandade. Seu fundador, Hassan al Banna (1906-49), tinha claro quais eram seus propósitos: "Alá é nosso objetivo; o Alcorão é nossa constituição; o Profeta é nosso líder; 'Jihad' é nosso caminho; e morrer por Alá, a mais alta de nossas aspirações".

Também em seus primórdios, a Irmandade esteve associada aos nazistas. Era uma chance de combater de uma vez seus dois piores inimigos, os ingleses e os judeus que iam se fixando na Palestina.

De 1928 para cá, porém, as coisas ficaram um pouco mais complicadas. Para começar, a Irmandade cresceu. E cresceu muito. Hoje ela existe em mais de 15 países, atuando como um misto de movimento religioso, partido político e organização de auxílio aos necessitados --o que ajuda a explicar seu sucesso.

Ela existe até em Israel, onde está representada na Knesset (Parlamento). No Egito, embora tecnicamente ilegal, é bastante forte. No pleito legislativo de 2005, membros que concorreram como "independentes" obtiveram 88 cadeiras (20%) no Parlamento.

Seu braço nos territórios palestinos é o Hamas, que controla Gaza. É o único lugar onde seus representantes assumiram de fato o poder. Não chegaram a promulgar uma república islâmica, mas impuseram uma série de restrições religiosas, em especial contra as mulheres.

A questão fundamental agora é descobrir quais são os objetivos atuais da Irmandade, pois, se houver eleições livres no Egito, eles teriam grandes chances de vencer uma disputa para o Executivo e/ou de conquistar um naco substancial do Legislativo.

Parte dos analistas estima que o movimento vem passando por um processo de moderação. Eles seriam hoje como as democracias cristãs europeias na década de 70 ou como o Partido do Desenvolvimento na Turquia, originalmente religioso, mas que parece ter incorporado a democracia em seu DNA.

A favor dessa tese está o fato de que em diversas ocasiões, como o 11 de Setembro, o grupo condenou a violência (mas em muitas outras, aprovou, em especial os ataques suicidas contra israelenses). Além disso, um dos principais inimigos da Irmandade hoje é a Al Qaeda, a organização jihadista capitaneada por Ossama bin Laden.

Não obstante a recente desavença, a Irmandade, através de um de seus principais ideólogos, Said Qutb (1906-66), autor de uma obra com fortes traços antiamericanos, influencia a Al Qaeda até hoje. Seus militantes são por vezes chamados de qutbistas.

Outra parte (menor) dos analistas, porém, diz que a contenção que a Irmandade exibe atualmente é calculada e desaparecerá depois que chegarem ao poder, quando tentarão restaurar o califado.

O mais provável é que a própria organização esteja dividida em relação a seus objetivos finais. Se você entrevistar um dos porta-vozes encarregados de manter contatos com a mídia estrangeira, certamente encontrará a face moderada do movimento. Se for conversar com um pregador de rua em Ismaília, provavelmente vai se deparar com uma outra Irmandade. Resta saber qual ala prevalecerá.

De qualquer forma, não há nenhum motivo para o Egito (e os demais países árabes) não tentar instituir uma democracia autêntica, que não chega a ser incompatível com a "umma" (talvez o seja com a "sharia", a lei islâmica, e outros pontos da religião, mas não com a noção de comunidade). Não estamos, afinal, falando de tribos indígenas perdidas na Amazônia, mas de sociedades razoavelmente industrializadas, letradas e que já foram, num passado meio longínquo, o farol da humanidade. Não será, por certo, um processo fácil, como o demonstram Iraque, Líbano e territórios palestinos, os países árabes em que a população pode pelo menos expressar-se livremente nas urnas. Mas depender de ditaduras mais ou menos selvagens para conter os religiosos não é exatamente o que eu chamaria de negócio tentador.
















































Ditadura e religião